sábado, 12 de maio de 2007

Como tudo começou...

Foi uns dias antes do natal do ano de 2006, que surgiu o primeiro encontro, do que seria no futuro, chamado carinhosamente de "ORGANISMO". Uma figura pequena (característica marcante de todos os membros da organização), de cabelos cacheados, risada forte, mas extremamente fechada quanto a adquirir novos membros em um ciclo de amizade - menina, que conheço de longas datas, vizinha do primeiro andar do meu prédio, me pergunta: "Quem é já essa tua amiga da Unama que chamaste para sair com a gente?". Suas feições eram pouco agradáveis, sobrancelha esquerda levantada e biquinho torto para a direita. Tentei tranqüilizá-la afirmando que ela era a única pessoa que me dei bem na minha turma de jornalismo da universidade.
A amiga da Unama entra no carro e a primeira coisa que fala é sobre um puta porre que ela pegou com a mãe em um bar de lésbicas, no centro da capital paraense. Minha vizinha a olha de forma diferente, inclusive com mais respeito, deve ter pensado: "Opa, essa garota deve ser das minhas, álcool é comigo mesmo (outra característica marcante do Organismo)". Eu, por outro lado, me preocupei um pouco de minha vizinha a ter achado meio lesa da cabeça, mas aos pouco percebi que ali iria nascer algo mais profundo, porque não demorou muito para a primeira gargalhada, quando a louca da Unama tira de dentro da bolsa um canudinho em forma de um pinto, nem um pouco bonito, que ela adquiriu nesse tal bar.
Seguimos então a um bar chamado Café Imaginário. Éramos somente nós três no lugar. Como essa era a primeira vez que saía com minha amiga da Unama - já que antes ela namorava um psicopata “stoker”, que a proibia até de respirar - eu mesma analisava o seu comportamento. Queria saber se ela era realmente divertida, apesar do tom de voz escandaloso, que muitas vezes chega a envergonhar. A outra não tava nem aí, porque a conhecia desde a copa de 94, quando ela surgiu saltitante pelo “play” do prédio, com uma meia até o joelho, de cor amarela e verde listrada. Quem a conhece também não consegue imaginar essa cena, mas aconteceu.
Depois de uma noite de bebedeira, em vários outros lugares que paramos, morrendo em uma festa no tal de Café com Arte (é, tem muito ‘cafés’ aqui que de estilo pub não tem nada). No dia seguinte bateu a saudade. No domingo de ressaca, a vizinha queria porque queria que eu fosse buscar a garota da Unama para passar o dia morgando juntas e fuxicando da noite anterior, e isso é algo que se tornou sagrado e acabou virando o “Organismo”. Nem precisou, a louca pegou dois ônibus para chegar ao shopping perto do nosso prédio para ficar com a gente. É, foi amor à primeira vista e nunca pensaria que três pessoinhas pequenininhas, de gênio tão forte, fossem conseguir se aturar por tanto tempo. Sempre pensei que nunca daria certo uma amizade entre pessoas que são tão parecidas na estupidez, quanto diferentes no afeto. Um dia, estávamos à mercê da falta do que fazer, durante um feriado que minha fortíssima memória não recorda. Por isso, acabamos invadindo a casa de um cara que é amigo de um amigo nosso que estava com a gente a procura do que fazer. Nós, que embora estivéssemos entediadas, nunca perdemos a animação (uma lei do organismo, night fever honey!!!) por mais chato que esteja o lugar. Eu e a vizinha entramos no apartamento do figura cantando The Doors, na maior intimidade.Tínhamos que nos divertir de qualquer forma! Quando percebemos, no meio da madrugada, todo mundo já era amigo do peito, cantando e falando merda a noite inteira. Foi nisso que surgiu uma música - tão curta, tão nada a ver, sem sentido, de um refrão só, tosquíssima - que se tornou sagrada em todas essas reuniões com esses caras. Eles só não fazem parte do Organismo simplesmente porque são homens e realmente já fechamos as portas para outras garotas. O ciúme entre nós impera de tal forma que qualquer outra garota que tente se entrosar tem de enfrentar nossos olhares maldosos dizendo "Saí daê porra!!!" ou "Égua da idiota", além de caras e bocas que desconfortam qualquer um. Convenhamos que três já é demais. Mais do que isso é cagada na certa. Muita mulher junta não dá.
O vício do Organismo se tornou tão grande que não tem um final de semana que não nos reunimos, pior, abdicamos das responsabilidades acadêmicas para ficarmos juntas, brigamos com namorados, fugimos de fininho, nos "queimamos" com as mães por chegar de manhã em casa, tudo em nome da organização.

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