segunda-feira, 21 de maio de 2007

Musa da Ralé


Quem nunca passou na frente de uma construção e foi assediada verbalmente por pedreiros na seca? (Se isso não acontece com você, tua situação tá pior que a minha, honey!) Esse tipo de coisa já é factual para a maioria das mulheres, sejam elas bonita, feia, gorda ou magra. Bom, está na hora de admitir. Sou musa da ralé, como disse minha colega de organismo. Recentemente descobri isso quando, ineditamente, um falnelinha ao pedir para limpar o pára-brisa do carro, começou a rasgar elogios finérrimos como "Linda! Mas é muito linda", na minha cara quase que entrando no carro pela janela, mostrando todas as cáries dos dentes com aquele sorriso maroto. Não me contive. Dei um cigarro pra ele ir logo embora e falei "égua, nunca um flanela deu em cima de mim!O negócio ta pegando pro meu lado".
Na conferência do Organismo realizada no último final de semana, no balneário de Salinópolis, num puta hotel onde fritei literalmente até ganhar uma insolação nada artificial na pele, foi onde ganhei o garçom "tchuthuco" - apelido carinhoso que criamos para ele. O figura era todo másculo, cara de ex-presidiário mafioso, com belos pares de olhos verdes, filho bastardo de caminhoneiro gaúcho. A cada cerveja servida, um olhar avassalador. Chegou a gentileza de nos oferecer gratuitamente uma porção de batata fritas do dia anterior, com resto de farofa do prato de um cliente, em homenagem a aniversariante do Organismo. Estava até gostoso! Infelizmente, vamos ter que encomendar a morte dele, porque devido ao excesso de tempo que ele gastou nos rodeando e nos servindo, ele acabou escutando segredos fortíssimos do Organismo, que não podem ser revelados de nenhuma forma. Mas isso ainda vai ser analisado.
Essa tem um tempinho, mas vale a pena relatar. Estava na mesa de um bar, toda arrumadinha, maquiada, pegando aquele vento, sozinha mas não solteira - o que não interessa, sempre queremos ser paqueradas para alimentar nosso ego e saber que ainda estamos podendo. Mas, putz! Isso se tornou impossível quando os únicos que me deram o mínimo de atenção foram os bêbados, hippies e vendedores de amendoim da praça do Carmo. Pera lá!! Saí de lá completamente arrasada, pensando o que eu tinha de errado, o porquê das minhas amigas terem conseguido bilhetinhos de rapazes, que, apesar de parecerem otários, eram pelo menos apresentáveis para a sessão de fotos do jornal de Caiacó. Foi assim que cheguei à conclusão de que sou a musa da ralé!
Agora não pensem que esse meu título não tem suas vantagens. Muito pelo contrário. Em locais como restaurantes, meu charme com os garçons sempre são bem copmpensados à mim. Meu prato vem bem mais caprichado e adubado do que os das minhas amigas, que o diga os cosinheiro do Spoleto .Já até ganhei desconto em pizza por arrasar corações com eles. Mas,o mais bacana mesmo são as caipirinhas excelentes e chops sem colarinho quase transbordando da caneca que valem a pena ser a musa da ralé!

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